OS PRINCIPAIS MEDOS DOS EMPREENDEDORES

Recentemente, a Revista Exame publicou uma matéria onde pontuava alguns dos medos dos empreendedores iniciantes.

         E realmente, é grande o medo de quem começa a empreender, principalmente, quando não se tem um planejamento muito bem definido.

         Muitas vezes, quem está iniciando no empreendedorismo, troca a segurança de um emprego, para iniciar uma jornada de vários riscos através de um novo negócio: o próprio negócio.

         Empreender significa arriscar e, com isso, torna-se imprescindível mudar a chavinha do pensamento, de quem antes só se preocupava em receber seu salário no final do mês. Agora será preciso calcular cuidadosamente, de cada passo a ser dado.

         E este medo não é só dos empreendedores iniciantes. Esse mesmo medo, assombra também, aqueles que já tem um certo tempo de estrada.

         E qual seria o grande bicho de 7 cabeças de todos os empreendedores ? Acertou quem pensou na falência do negócio.

         A falência é o destino de toda a preocupação do empresário, mas ela pode ser precedida por alguns tópicos específicos, como veremos a seguir:

1. A INCERTEZA COM RELAÇÃO À RENDA

         Nem sempre os rendimentos de um novo negócio aparecem nos primeiros meses.

         É preciso ter a consciência de que o negócio necessita de um tempo para decolar, paciência para descapitalizar a empresa e, acima de tudo, um bom planejamento para suportar o período de alavancagem do negócio.

         Querer extrair os frutos do negócio de forma precoce, pode acabar sacrificando o próprio negócio.

2. MEDO DE FRACASSAR

         Parece algo difícil de imaginar, mas o medo do fracasso pode levar a empresa à ruína.

         Primeiramente, se esse medo resultar de uma experiência ruim ou de uma comparação negativa com um negócio semelhante ou de algum conhecido, é um péssimo caminho para quem quer ter sucesso no empreendedorismo.

         Mesmo diante de experiências negativas, extraem-se boas lições. Aliás, ouso dizer que, na maioria das vezes, as maiores lições vêm dessas experiências ruins.

         É importante, contudo, anotar os erros e, principalmente, refletir sobre eles para que no futuro não volte a cometê-los.

         A melhor forma de não temer o fracasso, é enfrentando-o, com preparação e ação.

3. RECEIO DE NÃO TER CLIENTE

         Iniciar um novo negócio traz sempre como primeira dúvida, a incerteza se terá ou não demanda, ou seja, pessoas que se interessarão pelo seu produto ou pelo seu serviço.

         Mais uma vez, entra em campo o bom e velho planejamento.

         É preciso ter uma boa estratégia de marketing, sobretudo agora, na era digital das redes sociais.

         Mas, acima de tudo, é fundamental apresentar um diferencial, seja no tocante aos produtos ou à prestação de serviços.

4. MEDO DO CRESCIMENTO

         Este já é um outro cenário, e, em algumas situações, aparece depois de superados os medos anteriores.

         Crescer significa utilizar mais recursos financeiros, enfrentar mais burocracias e melhorar a gestão das pessoas.

         Nessa etapa, surge um outro grande problema dos empreendedores, que passaremos a discorrer no tópico seguinte, que são os problemas trabalhistas.

5. MEDO DA DEMANDA TRABALHISTA.

         Apesar de muitas pessoas, de forma equivocada, pensarem que em razão das reformas na Legislação Trabalhista, houve diminuição dos riscos para as empresas, a situação é exatamente inversa.

         Atualmente, as ações trabalhistas estão mais perigosas do que antes. Querem ver ?

         Antigamente, era comum ouvirmos que uma determinada pessoa ingressou com uma reclamação trabalhista contra uma empresa, cujo pedido somava uma quantia exorbitante, e depois, em audiência, fazia-se um acordo de valor bem distante daquele informado no pedido. Por exemplo: Pedia R$ 500.000,00 e fazia um acordo de R$ 10.000,00.

         Quem nunca ouviu algo do tipo ?

         Pois é, as alterações na legislação trabalhista, de certa forma, diminuíram significativamente com esses procedimentos exagerados.

         No entanto, agora as reclamatórias trabalhistas estão melhores elaboradas, em razão da necessidade de se apresentar cálculo do valor que se pretende discutir, logo na propositura da ação, e a consequência da irresponsabilidade na informação desses valores, que pode gerar consequências, como sucumbência e litigância de má-fé para o trabalhador.

         Com isso, os pedidos atualmente são mais próximos da realidade, levando-se em consideração, somente aquilo que é possível provar.

         Isso fez com que as ações se tornassem mais perigosas para o empresário, porque se o trabalhador calculou seus pretensos direitos ao ingressar com a ação, dificilmente vai fazer um acordo por menos de 70% ou 80% desse montante. Exemplificando: Se um trabalhador acredita que tem um crédito de 50.000,00, é pouco provável que se faça um acordo menor do que 70% ou 80% desse valor. Esses números estão sendo praticados, diariamente, nas milhares de Reclamações Trabalhistas país afora.   

         Portanto, o cumprimento das normas trabalhistas passou a ser uma necessidade ainda maior dos empresários, afinal, além de ineficiente, discutir judicialmente uma ação trabalhista, para o empreendedor, torna-se muito caro, desgastando seu negócio como um todo.

6. MEDO DE NÃO CONSEGUIR MOTIVAR A EQUIPE

         E por fim, outro grande ponto de preocupação dos empreendedores, diz respeito à motivação dos seus colaboradores.

         E essa motivação, esse engajamento, vai desde o atendimento ao cliente até o modo de manusear um equipamento.

         Já ouvi de diversos empreendedores, que o custo de manutenção de um determinado equipamento, depende do modo de condução do seu operador, trazendo diferenças entre alguns funcionários no momento da revisão do equipamento.

         Portanto, quanto maior for o cuidado do trabalhador, menor será o custo da empresa, impactando diretamente na lucratividade da mesma.

         Da mesma forma, o atendimento faz toda a diferença. Tomamos como exemplo a venda de combustíveis ou um produto qualquer na prateleira de um supermercado.

         Na maioria das vezes, os valores são equivalentes e as marcas até são as mesmas. E o que faz o consumidor comprar de um ou outro estabelecimento ?

         Geralmente, é o atendimento que faz a diferença, afinal, o consumidor fica extremamente satisfeito quando é atendido com respeito e alegria pelos funcionários de determinada empresa.

         Investir no bem estar dos funcionários, em todos os sentidos, pode ser um grande diferencial para a saúde da empresa, influenciando, diretamente, no faturamento da mesma.

         Desta forma, finalizamos com o reconhecimento de que, de fato, empreender não é tarefa fácil. Porém, com um bom planejamento e assessoria de qualidade, é possível vencer essas barreiras, deixando para trás todos os medos que o empreendedorismo gera para o empreendedor, seja ele iniciante ou num nível já mais avançado.

Fábio Turazza

Advogado

Consultor Trabalhista de Resultado

16 98116 7788

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